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Trilhando quatro caminhos espirituais Toca | Envie sua missiva
     

sábado, maio 03, 2003

 
Crime

Brisa sentiu-se satisfeito quando o capitão Gnomo aceitou o acordo, porém, em poucos segundos, sentiu-se como uma criança que havia feito algo muito errado. Os olhos de Voz da Terra lançavam faíscas de desprezo. Era tarde pra voltar atrás. Brisa procurou com os olhos uma fonte de fogo que pudesse se concentrar. Os soldados Gnomos curiosos o guiaram pela mão até uma forja próxima onde labaredas crepitavam e iluminavam todo o ambiente, e permitiam que todos observassem o show.
Brisa fechou os olhos e estendeu as mãos, sentindo o calor intenso do fogo. Era como se já tivesse feito isto antes, talvez quando muito pequeno ou em outra vida. Mas estava extremamente à vontade e familiar com a situação. Tentou murmurar palavras suaves para chamar o espírito do fogo, contudo, estas não foram respondidas. Caminhou em círculos durante alguns segundos, tentando raciocinar como deveria fazê-lo. O Fogo não é uma criatura viva como a cobra ou o morcego, natural que não respondesse a palavras. Teria de entrar em sintonia com o espírito de alguma forma.
Uma oferta, como a tatuagem para Sisisnay, parecia pouco apropriada neste momento, Talvez uma grande fogueira, mas se a própria forja não o fazia manifestar-se, o que poderia Brisa queimar? Não, não era esse o caminho.
Brisa sentiu-se incomodado com os olhares ansiosos dos companheiros de viagem e dos Gnomos, o fitavam como se esperassem um grande milagre ou uma chuva de luzes piscantes banhando o céu. Não podia culpá-los, afinal, em um de seus momentos de insanidade havia realmente prometido isto a eles. Brisa decidiu que se fosse alcançar, o que quer que fosse, teria de alcançar sozinho. Começou a entoar um cântico baixinho, oração dos seguidores de Aerdrie Faenya, e concentrou-se nele até que seus sentidos relaxassem a ponto de brisa esquecer que estava rodeado de outras pessoas, e que sua mente pudesse viajar livre para onde realmente ficavam guardadas as respostas.
Fogo, aquece minha comida e afasta meus inimigos. Transforma madeira em carvão, barro em cerâmica. Difícil de ser controlado. Paixão arde como fogo.
As idéias iam invadindo a mente de Brisa que as cavalgava sem pudor. Talvez as palavras não pudessem chamá-lo, mas alguns sentimentos sim.
As surras que levava dos Avariel quando era pequeno. Seu coração ardia como a fúria do fogo. A doçura de algumas Avariel que dançavam ao sabor do vento fazia Brisa sentir seu estômago em fogo, mas um fogo diferente, ardente e instigante.
Brisa não soube quanto tempo passou dessa forma, mas a cada lembrança, sentia-se mais próximo do fogo, podia entender o fogo. Sem perceber quando ou porquê, caminhava numa caverna iluminada por grandes fogueiras. Caminhou até encontrar um pequeno lagarto de fogo que pulava e dançava ao som das labaredas queimando sob um forno semelhante a uma pira de cremação. Brisa havia alcançado o entendimento que buscava.
Eu saúdo o espírito do fogo

O lagarto continuava ignorando Brisa e rodopiando em torno de si mesmo, como se mal houvesse notado sua presença.
Venho pedir que fortaleça com seu calor uma forja dos gnomos. Esse favor pode impedir um grande conflito. Pode impedir que Assírios controlem grandes centros de magia

Seus assuntos não nos dizem respeito. Vocês controlam os meus com suas fornalhas. Não precisam ir além.

Os Gnomos precisam dessa força para acelerar a construção de suas armas e se defender dos…

As chamas tornaram-se mais fortes e poderosas e praticamente engoliram Brisa que recuou alguns passos. O pequeno lagarto rastejou pra fora do forno e começou a rodopiar em torno de Brisa.
Saia de meus domínios, bastardo. Não me importo com seus problemas e não desejo ajudá-los de forma alguma.

As palavras do lagarto subiram a cabeça de Brisa e o atingiram como um golpe bem dado no queixo. Já tinha aberto mão de muito de sua razão e estava lado a lado com suas paixões mais explosivas, de modo que pudesse se comunicar com o espírito em seus próprios termos. Em outra situação, Brisa teria se controlado, mas naquele momento havia apenas uma opção.
Verme egoísta, não desci até aqui para ouvir suas ofensas, me aproximei da forma mais cordial possível.

Sua cordialidade é tão bem vinda quanto o sangue misturado e sujo que corre em suas veias.

As chamas que Brisa acendeu em seu coração explodiram e tornaram-se tão quentes e incontroláveis quanto o fogo que queimava a sua volta, numa fração de segundos, seu desejo se tornou verdade absoluta, e aquele que ia contra sua vontade se tornara um obstáculo a ser ultrapassado e destruído.
Brisa deu um passo a frente e sua vontade superou a força do lagarto, que deu um ganido baixo e se moveu lentamente de volta ao forno, deitou a cabeça sobre os próprios braços e adormeceu rapidamente.
Brisa sorriu ao perceber que de certa forma, havia vencido uma batalha espiritual, havia conseguido fazer o lagarto recuar e este agora estava indefeso. Haveria alguma forma de prender o lagarto de fogo ao forno e completar o fetiche que desejava.
Brisa mais uma vez fechou os olhos e procurou as respostas dentro de si mesmo, e as encontrou. A tradição xamânica, por bem ou por mal, estava bem enraizada na memória de seu espírito e Brisa sentia que sabia como fazê-lo. Ajoelhou-se próximo ao lagarto adormecido e sussurrou.
Faz da tua morada esta forja e empresta teu calor e vida ao fogo que aqui for aceso. Permita que os Gnomos manipulem este instrumento e se beneficiem de seus serviços.

Dada a ordem, Brisa sentiu que nada mais havia a ser feito. As paixões confusas em seu coração foram se acalmando e Brisa se viu mais uma vez entre os companheiros de viagem, ainda na mesma posição, com as mãos estendidas em direção a forja e com gnomos observando. Não conseguiu calcular quanto tempo havia ficado em transe. Quanto tempo sua viagem xamânica durou.
O fogo da forja ardia intensamente, indicando que o fetiche estava funcionando, os gnomos riam e pulavam se cumprimentando como se tivessem visto um grande espetáculo.
Brisa voltou os olhos para Voz da Terra buscando algum tipo de aprovação, esperando que o sucesso que obteve pudesse anular qualquer erro que provavelmente tivesse cometido, mas não houve aprovação do Aíbayuri.

Tire esse sorriso idiota do rosto. A satisfação que você esta sentindo é tão válida quanto à de um Orc que estuprou um garotinho de 7 anos de idade. Está intoxicado pelo poder? e agora o quê vai ser? Aprisionar pequenos espíritos e vender na feira? A pequena salamandra de fogo que você violou não tinha a mínima chance de se pôr contra você. Se o quê quer é tornar-se um feiticeiro obcecado por poder, faça, mas não conte comigo. Se ainda houver um mínimo de bom senso e humildade nessa sua cabeça de vento estúpida... você ainda tem alguma chance. Os espíritos são vingativos, mas perdoam os criminosos que se arrependem.

Eu não imaginei que estivesse fazendo algo tão errado... eu não pude me controlar... eu não sei...

Brisa mentia pro Aíbayuri e pra si mesmo, sabia que as coisas não funcionavam assim, mas naquele momento, acreditava que os fins justificariam os meios e que tudo daria certo.
Nada se consegue de graça, se você pede um favor, você tem que oferecer algo em troca... dar ordens à força é digno de ogros. Não de um xamã... se quer tentar aliviar as coisas de alguma forma, terá que pagar aos espíritos pelo crime que cometeu.

E como eu posso pagar?

Eu não posso saber, terá de perguntar diretamente a eles...
Kumai e Franco, que não entendiam uma palavra de élfico, não conseguiam compreender o porquê da rispidez de Voz da Terra, afinal o truque de brisa havia dado certo e eles conseguiram o que queriam. Porquê afinal de contas o Elfo estava ralhando com brisa?
Brisa, abaixou a mão procurando a figura sempre acolhedora de Furioso, mas o cão não estava mais lá.. procurou com os olhos o Morcego Tzotl que sempre sobrevoava por perto, mas este também não estava. Murmurou o chamado a Sisisnay tentando pedir auxílio de sua aliada no mundo espiritual, mas esta também não veio.
Brisa era um degredado na aldeia de onde veio, e só possuía a companhia dos espíritos, mas agora, sentia-se só de uma forma que nunca havia sentido até então.
Pois bem Rapaz, você fez seu feito. Sou um homem de palavra e lhe darei o implemento que pediu, mas mantenham-no longe de mãos erradas, por favor! .

Dois soldados Gnomos fizeram um aceno para que os companheiros os seguissem, seguindo por um corredor que os levava aquilo que vieram buscar.





Espírito de fogo



Um conto sobre duvidas, caminhos e descobertas.

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